‘Gosto e não gosto de eletrônica’
JB Online - 17/jan/2003
João Bernardo Caldeira
Nota: Essa matéria é da época em que o Gerador Zero era uma banda com mais integrantes - MMA, Sandro Rib e Mary Fê.
Uma banda de música eletrônica que não gosta de música eletrônica - é isso que os cariocas poderão conferir hoje, na Bunker. “Detesto techno, com raras exceções. Meu grande problema com música eletrônica é a repetição. Você só fica ligado naquilo se o som está muito alto ou se você está bêbado”, desabafa FZero, idealizador do Gerador Zero.
Se o senso comum costuma colocar no mesmo saco tudo o que é feito com a ajuda do computador, a galera por trás das geringonças muitas vezes não se bica. Não é a toa que o DJ Marky já declarou que Moby não faz música eletrônica.
Idiossincrasias à parte, o Gerador Zero, que soma cinco integrantes, prefere não se fixar em nenhum rótulo, misturando drum´n bass, big beats e jungle, entre outras coisas.
“Já aconteceu de um DJ dizer que uma música nossa parece drum´n bass, mas que não poderia tocá-la porque não era drum´n bass”, recorda FZero, criador do projeto iniciado há seis anos.
“Partir do rótulo para fazer uma música não é legal, como fazem pessoas que pegam a onda do momento para ganhar dinheiro. O Gerador é um trabalho autoral e a gente faz o que curte”, garante. A banda lançou recentemente seu primeiro CD, feito todo num estúdio caseiro, sem vocal e cheio de efeitos e distorções digitais.
Recentemente, o grupo passou a incorporar também elementos convencionais, como baixo e guitarra, presentes em uma faixa (Feira de São Cristóvão) do disco, que leva apenas o nome do conjunto. Elementos que são levados para as apresentações e permitem um improviso maior.
FZero faz questão de ressaltar que o Gerador não está preso às limitações das programações eletrônicas quando se apresentam: “A gente não leva as músicas completas para o palco, mas sim segmentos que podemos tocar em ordens diferentes. Podemos alterar tudo na hora”, garante.
Assim eles querem se destacar nos shows num segmento inexplorado no Brasil, o da música eletrônica com banda, como faz Moby ou Prodigy. “Não é um projeto de música eletrônica em que apenas um cara sobe no palco como se fosse um DJ, sem improviso. A gente se enxerga como uma banda”, diz. Tá explicado então.
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